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Ineep aponta cenários e destaques para leilão da ANP
Publicado em: 21/10/2025
Divulgação / Petrobras
O retorno da Petrobras, ausente no último leilão de partilha realizado em 2023, e a habilitação de duas petroleiras independentes brasileiras, a Brava Energia e a Prio, são os principais destaques do 3º Ciclo de Oferta Permanente de Partilha que será realizado pela ANP amanhã (22), segundo o coordenador de pesquisas do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Franscimar Ferreira. Para participar deste certame, foram habilitadas 15 petroleiras que concorrem a sete blocos das Bacias de Campos e de Santos.
Ferreira alerta, porém, que os leilões e a oferta de áreas com elevado potencial exploratório, como é o caso das que serão licitadas amanhã, devem ter um papel estratégico para a soberania e a segurança energética do país e não se tornarem fonte de recursos de curto prazo. O pesquisador defende, por exemplo, que o modelo de Oferta Permanente de Partilha para o pré-sal deve de ser revisto e o regime de partilha fortalecido, com maior participação do Estado e da Petrobras nos blocos do pré-sal.
“A inclusão de um grande número de blocos em um único leilão, como no 3º ciclo, quando 13 blocos foram inicialmente colocados em disputa, sem a obrigatoriedade de participação da Petrobras como operadora, pode reduzir a presença estatal em áreas estratégicas do pré-sal. Esse movimento tende a ampliar o espaço de atuação de multinacionais, privadas ou estatais estrangeiras, sobre áreas estratégicas, o que pode gerar riscos à segurança energética nacional, uma vez que os interesses dessas empresas são múltiplos e nem sempre convergem com as necessidades do desenvolvimento do país”, comenta.
Sobre o 3º Ciclo, ele avalia que, apesar do expressivo potencial exploratório dos blocos em oferta, os resultados estão condicionados a diversos fatores, impulsionadores ou não das aquisições.
O atual cenário de preços baixos do petróleo pode reduzir o apetite das empresas, levando-as a direcionar seus investimentos para ativos de menor risco e retorno mais rápido. Um exemplo nesse sentido são as áreas não contratadas do pré-sal, que estarão em leilão PPSA de dezembro próximo, quando serão ofertados campos com reservatórios comprovados, já em fase de produção, com menor incerteza e retorno imediato para os investidores. Segundo ele, outro fator inibidor são as alterações nas regras de conteúdo local. Para a fase exploratória, o percentual obrigatório passou de 18% para 30%, enquanto a construção de poços teve seu requisito elevado de 25% para 30%.
Por outro lado, Ferreira destaca que o pré-sal ainda possui importante potencial exploratório. A ANP classifica os setores no interior do polígono do pré-sal como sendo de elevado potencial ou de nova fronteira. Entre 2015 e setembro de 2025, foram perfurados 78 poços exploratórios na porção marítima brasileira. Desses, 41 atingiram o pré-sal, resultando em 34 notificações de descoberta, segundo dados da ANP. No mesmo período, 37 poços foram perfurados no pós-sal, com apenas 16 notificações de descoberta. Esses números indicam não apenas o potencial geológico do pré-sal, mas também sua taxa de sucesso exploratório superior ao pós-sal.