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Estudo do Ineep sobre transição energética e mercado de trabalho é tema do Estadão e Valor
Publicado em: 11/06/2021A transição energética e seus impactos no mercado de trabalho, objeto do estudo encomendado ao Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) pela IndustriAll Global Union, organização que representa cerca de 50 milhões de trabalhadores em 140 países, foi assunto, ao longo desta semana, de matérias do Estadão e do Valor Econômico. Na próxima terça-feira (15/06), será o tema do Webnário que o Instituto realizará em seu canal de Youtube com o coordenador técnico Rodrigo Leão e o pesquisador Rafael Rodrigues da Costa.
Com o título “Energias renováveis aumentam oferta global de emprego”, a reportagem do Valor (11/06), assinada por André Ramalho, informa que a transição poderá criar milhões de empregos em renováveis, mas que há dúvidas sobre o mercado de trabalho em óleo e gás. Já o Estadão (09/11), na matéria “Transição energética coloca em risco milhões de empregos no setor de petróleo”, de autoria de Fernanda Nunes, destaca para a conclusão do estudo de que ainda são raras as iniciativas das multinacionais do petróleo no sentido de prepararem seus empregados para as mudanças, e que estes são céticos quanto às possíveis transformações no mercado de trabalho.
O Valor informa:
“A Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês) estima que, diante da intensificação dos compromissos globais de descarbonização desde o ano passado, a agenda pós-covid-19 pode criar 5,5 milhões de empregos relacionados à transição energética, no mundo, entre 2021 e 2023. A previsão é que o mercado de trabalho no setor de renováveis cresça mais de 2,5 vezes até o fim da década, no mundo, dos 11,5 milhões de postos em 2019 para 30 milhões em 2030”.
A China, ainda segundo a Irena, concentrará 64% do emprego na indústria de renováveis em 2050. “É um reflexo das cadeias globais de valor. A indústria, hoje, está na Ásia, não vejo muitas alterações nessa estrutura”, comenta o coordenador técnico do Ineep Rodrigo Leão, em entrevista ao Valor. Para ele, “o universo da economia sustentável é heterogêneo: o mesmo setor que demanda trabalhadores com alta qualificação em pesquisa e desenvolvimento e tecnologias de eficiência energética é capaz, na cadeia dos biocombustíveis, de ofertar trabalho precário, condições insalubres e pouca sindicalização”.
Na entrevista ao Estadão, com base no estudo do Ineep, Leão informa:
“há um descompasso entre o movimento sindical de funcionários da indústria petrolífera, mais atento ao tema da transição justa, e os profissionais envolvidos no dia a dia das empresas. Isso porque a maioria dos que participam da rotina da indústria de óleo e gás ainda não vive a realidade da transição energética”.
Leão acrescenta:
“O segmento de renováveis ainda representa uma parcela muito pequena dos ativos das grandes petrolíferas. Essas empresas estão se associando a outras, como a startups, para participar da transição. Com isso, muitos dos profissionais envolvidos não são da própria indústria de óleo e gás. Para os trabalhadores petroleiros entrevistados para a pesquisa, as mudanças estão no campo da retórica”.
O Estudo
O estudo realizado pelo Ineep para a IndustriALL “Transição energética, estratégias nacionais e empresas petrolíferas: quais são os impactos sobre os trabalhadores?” baseou-se em ações das petroleiras Total, BP, Equinor, Shell, Chevron e ExxonMobil e envolveu, diretamente e indiretamente, cerca de cem trabalhadores.
Com 82 páginas de textos e ilustrações já considera, em sua conclusão, os efeitos da Covid no mercado da indústria de óleo e gás. E destaca para o fato de que os investimentos das petrolíferas em energia limpa ainda são incipientes, e de que praticamente não existem ações voltadas para a transição justa.
Comunicação Ineep