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Relações de trabalho na transição energética e Finanças verdes são temas de discussão na segunda parte do seminário
Publicado em: 08/05/2026

Na tarde desta quarta-feira (25/03), mais duas mesas de debate foram realizadas no Seminário Internacional Energia, Integração e Soberania: Uma plataforma para o Brasil. Na primeira, intitulada Relações de trabalho, digitalização e transição justa, os sindicalistas presente foram categóricos ao afirmar que a precarização do trabalho é questão a ser resolvida para uma transição energética justa.
Representante da Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacellar, afirmou que o enfraquecimento das atividades sindicais representa uma ameaça a esse processo.
“Não vejo como o Brasil pode fazer uma transição energética justa com os trabalhadores perdendo direitos a cada dia”, afirmou.
Outro problema abordado foi o processo de privatização no setor de energia nos últimos anos. Fabíola Latino Antezano, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), lembrou que as privatizações não trazem benefícios para os trabalhadores, mas apenas para as empresas.
“Os trabalhadores sempre saem perdendo. Esse modelo utilizado para vender as empresas públicas favorece apenas os donos das empresas.” Ela também chamou atenção para a pejotização da mão de obra no país. “Quem ganha salários mais altos atualmente quase sempre é PJ. O empregador paga um salário maior, mas retira todos os direitos do trabalhador. Infelizmente, isso vem acontecendo com frequência no Brasil”, afirmou.
Adriana Marcelino, do Dieese, lamentou a falta de políticas públicas voltadas aos trabalhadores informais. Segundo ela, até mesmo o movimento sindical enfrenta dificuldades para alcançar esse grupo.
“Eles não fazem conta do que estão perdendo ao optar pela informalidade. A questão é que, lá na frente, essa conta chega. Infelizmente, a informalidade vem crescendo muito no Brasil. É uma questão muito sensível.”
A falta de debate é um dos fatores que dificultam a melhora da qualidade do emprego, segundo Felipe Pateo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). “As pessoas falam em transição energética justa, mas não aprofundam o debate. É preciso focar na qualidade do trabalho e colocar o dedo nessa ferida”, afirmou.
Brasil tem diversos desafios para desenvolver sua agenda verde
Para os especialistas em financiamento da agenda de transformação energética do BNDES, Finep, Ministério da Fazenda e do Instituto Clima e Sociedade, o Brasil possui vantagens e desafios para implementar uma agenda que permita ao país cumprir a meta de emissões zero em 2050.
“Acho que essa meta é comparável a uma maratona. Alguns países, como a Noruega, vão começar essa corrida bem à frente, no quilômetro 20. A Noruega tem recursos financeiros, tecnologia e um padrão de vida elevado. Outros países europeus vão começar um pouco mais atrás. O Brasil vai começar no quilômetro zero e, para cumprir o objetivo de emissão zero em 2050, vai ter que aproveitar suas vantagens comparativas com propriedade”, avalia Carlos Omildo Colombo, do Ministério da Fazenda.
Victoria Santos, do Instituto Clima e Sociedade, avalia que o país precisa construir uma visão comum para a agenda climática, aproveitando as oportunidades para criar perspectivas de desenvolvimento sustentável.
“Acho muito importante debater o papel do setor de óleo e gás nessa agenda. Como vai ser a empresa? A Petrobras é um ativo que o Brasil tem. Como a empresa vai ser em 2050? Essa é uma das perguntas que precisamos começar a responder.”
A definição de uma estratégia comum foi consenso entre os participantes da mesa. Para Felipe Borsato, é importante definir uma posição consensual e diminuir a percepção de risco-país, que ele considera exagerada. Na mesma linha, Rafael Costa, da Finep, diz que é preciso reduzir a burocracia e agregar valor aos produtos verdes que vão surgir com as novas tecnologias de baixa ou zero emissão.
O Seminário Internacional Energia, Integração e Soberania, uma plataforma para o Brasil é organizado em parceria com a Fundação Perseu Abramo e com a Fundação Friedrich Ebert Brasil (FES).